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domingo, 11 de março de 2012

Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito: uma parceria de papel passado (ou quase).


Já contei aqui um pouco da história do gênio do samba e da boemia, Nelson Cavaquinho. É sabido que, para descolar uns trocos, Nelson vendia seus sambas sem qualquer critério e, por esse motivo, tem em sua obra parceiros que nunca souberam o que é compor uma melodia ou um verso de samba e muitos sambas de sua autoria que sequer levaram seu nome.

A grande exceção é Guilherme de Brito, seu grande parceiro da vida toda. Guilherme e Nelson se conheceram na década de 1940 e foi Nelson quem colocou Guilherme nos trilhos dos redutos boêmios do Rio de Janeiro.  Até então, Guilherme, que já se arriscava como compositor, mantinha uma rotina diária de trabalho batendo cartão na mítica Casa Edison.

Guilherme de Brito, nascido em Vila Isabel, conheceu Nelson tocando em botecos nos arredores de Ramos e a empatia foi imediata. Nelson se encantou tanto com o novo parceiro musical que o fez jurar fidelidade musical. Logo ele, que não era fiel nem aos seus próprios sambas. A coisa foi tão séria que Nelson tentou registrar em cartório o trato feito com Guilherme de Brito, fato que só não aconteceu, pois o funcionário riu e explicou para a dupla que tal registro não era possível.

Mesmo sem registro em cartório, a parceria musical entre Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito é uma das mais inspiradas páginas da MPB. Clássicos de lirismo e melancolia ímpares surgiram dessa união.

Abaixo, duas “pedradas”: A flor e o Espinho e Quando eu me chamar saudade.


sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nelson Cavaquinho

Nelson Cavaquinho é um dos compositores mais importantes da história da MPB, sua poesia carregada de melancolia, produziu sambas imortais. Dor, ceticismo, morte e saudade são temas recorrentes em suas composições.

Para conseguir algum dinheiro, vendeu muitos de seus sambas. Teve muitos parceiros musicais, porém encontrou em Guilherme de Brito sua mais importante e definitiva parceria. São de Guilherme, por exemplo, os lindos e clássicos versos de "A flor e o espinho" que dizem: "Tire o seu sorriso do caminho/ que eu quero passar com a minha dor".

Nelson era um boêmio convicto, que nasceu no Rio de Janeiro em 1911. Conforme o sambista relata no programa MPB Especial seu pai alterou sua data de nascimento para 1910 com o objetivo de que Nelson entrasse para a polícia militar. Já na corporação, sua função era patrulhar os botecos dos morros cariocas, tarefa que cumpria com muito gosto, pois passava suas noites bebendo e conversando com os freqüentadores desses bares. Foi assim que o policial entrou, de uma vez por todas, para mundo do samba, ficando amigo dos sambistas Zé da Zilda, Cartola e Carlos Cachaça e virando freqüentador assíduo do Morro da Mangueira.

O então policial, costumava amarrar seu cavalo ao pé do morro e subir para passar as noites nas rodas de samba. Um dia, ao descer, não encontrou mais seu cavalo que havia se soltado e voltado sozinho para o quartel. Em 1938, finalmente, percebeu a incompatibilidade entre suas duas rotinas, pediu baixa da corporação e passou a viver apenas do samba. Além da polícia também tentou outras ocupações como bombeiro hidráulico e jogador de futebol.

Um fato curioso é que Nelson tinha o hábito de dedilhar o instrumento que o batizou utilizando apenas dois dedos. Já mais velho, substituiu em suas apresentações, o cavaquinho pelo violão.

Um pequeno vídeo, disponível no YouTube, onde Nelson canta Vou Partir.